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Hunger Games: Movie Review

24 mar

Vi Hunger Games hoje, como já esperava, cercada de adolescentes histéricos e pessoas que não faziam ideia do que a historia se tratava.

Meu primeiro comentário, para mostrar como as pessoas são completamente irrealistas quando se trata de filmes adaptados de livros, foi o que ouvi do garoto ao lado, logo que o filme começou. A câmera mostrava Katniss saindo de sua casa no Distrito 12 e fazendo uma piada com o gato. Eis que a genialidade em pessoa sentada ao meu lado comenta “Nossa, o gato não tem nada a ver com o do livro”

Sério gente? Foi a esse ponto que nós chegamos? De comparar a aparência do gato? As pessoas realmente ligam pra isso? Será que não dá pra entender, de uma vez por todas, que livro e cinema são mídias diferentes? Que não dá pra transferir cada página para o roteiro?

Enfim, deixando isso de lado, vamos às minhas impressões pessoais do filme. A minha expectativa estava gigantesca, tanto pelo fato de eu amar os livros como pelo fato da equipe envolvida ser muito competente. Os atores não decepcionam, o brilho ficando obviamente com a protagonista Jennifer Lawrence no papel de Katniss. Já era fã de Jennifer, mas ela provou sua versatilidade e total capacidade de se comprometer com seus papeis.

O filme em si, não foi tão maravilhoso quanto eu esperava, mas isso não quer dizer que ele não tenha sido ótimo. As cenas da Arena cumprem bem o seu papel de deixar o espectador na beirada da cadeira, até os que já sabem exatamente o que vai acontecer. Senti falta de um pouco mais de brutalidade dentro da Arena – e fora dela também – mas eu entendo que eles precisavam respeitar um público mais jovem.

A Arena foi exatamente como eu imaginava e eu achei que eles deram a ela o tempo que merecia (a maior parte do filme) porque é só dessa forma que nós conseguimos ter alguma noção de quanto tempo eles precisam sobreviver lá dentro. Os Tributos do distrito 1 e 2 ficaram meio maléficos demais, meio caricaturas, mas no fim cumpriram bem a sua função de vilania. Gostei do fato de assistirmos ao filme pelos olhos de Katniss o tempo todo, sem saber o que acontecia por fora, porque é exatamente assim que nós sentimos ao ler a história. Se tem uma coisa que não faltou nessa produção foi boa ação e ângulos de câmera muito bem escolhidos. A direção de arte também não deixa a desejar, fazendo uma distinção muito clara entre os Distritos e o Capitol.

Já as cenas de antes do Hunger Games em si começar poderiam ter sido BEM mais dramáticas e bem mais trabalhadas. Mais uma vez, eu entendo que o livro tem muito mais tempo para construir uma relação psicológica com o leitor, mas o sofrimento causado pelo Capitol não fica claro no filme. Parece que tudo está bem e feliz até que os jogos comecem, quando na verdade os jogos são apenas uma reflexão da opressão diária sofrida pela população dos distritos.

Fico feliz também que eles não exageraram nos romances – para a tristeza dos fãs de Twilight, que só querem ver beijos e suspiros – e mostraram a relação de Peeta e Katniss pelo que é: uma necessidade de sobrevivência em tempos desesperados. Ambos os atores interpretaram os personagens com muita fidelidade e o mesmo pode ser dito para o restante do elenco, especialmente Effie e Haymitch (Elizabeth Banks e Woody Harrelson).

Meu livro preferido é Catching Fire e eu acho que esse sim tem potencial de ser espetacular, mas Hunger Games começou bem a franquia, sem me deixar de boca aberta, mas certamente feliz como fã, respeitando o principal elemento dessa trilogia de Suzanne Collins: a jornada de uma jovem mulher que sobreviveu às adversidades de uma sociedade corrompida.

Movie Review: I Am Number Four

10 mar

Oi gente!

Finalmente eu tive a oportunidade de assistir I Am Number Four, adaptação do livro de Pittacus Lore (que é um pseudônimo) de mesmo nome. Atenção para quem não leu o livro, porque a resenha contem SPOILERS!

Minhas expectativas estavam baixas, eu tenho que admitir. Primeiro porque apesar de achar Alex Pettyfer lindo como qualquer pessoa que tenha olhos, ele não é exatamente um bom ator. Segundo porque pelos trailers, achei que eles iam focar muuuito no romance entre a Sarah e o John, coisa que meio que acontece no livro, mas o livro tem espaço para desenvolver a personalidade do John isoladamente.

O filme foi, no mínimo, uma surpresa agradável. Além de efeitos sensacionais e cenas de luta muito boas, a história conseguiu se manter mais ou menos fiel ao livro. Eu sei que não devemos analisar o filme pela semelhança dele com o livro e sim pela sua qualidade como produto isolado, mas comparações são inevitáveis. Por exemplo, fiquei muito chateada deles não explicarem toda a coisa dos habitantes de Lorien só poderem ser mortos em ordem e como se eles se encontrarem essa ordem não vale mais nada. Pode parecer uma coisa pequena, mas isso faz muita diferença no fim das contas.

Outra coisa que me incomodou muito foi o fato deles nem mencionarem a Legacy do John, que é ser a prova de fogo. Pior do que isso, eles transformaram essa Legacy na Legacy da Six! Desnecessário!

Fora isso, a história se desenvolve bem, tem piadas boas que não são forçadas e, apesar de ser meio clichê, ele ainda consegue inovar em alguns pontos. A atuação de Pettyfer é bem melhor do que eu estava esperando, mas a da garota que faz a Sarah é realmente incômoda. O andamento rápido da história no filme pode deixar aqueles que já leram o livro meio confusos, mas logo você se acostuma e consegue aproveitar o filme pelo que ele é: uma ficção científica teen.

Meu conselho: não vá esperando uma obra prima. Sem dúvida nenhuma, com a mente aberta, você consegue se divertir com o humor leve, a ação comportada e a promessa de um segundo filme que tem tudo para dar certo. Enquanto isso, esperamos o segundo livro, The Power of Six.

Movie Review: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I

21 nov

“Isso é maior do que você. Sempre foi maior do que você”

Estas são as palavras que Rony fala para Harry quando este último está prestes a sair sozinho para procurar as malfadadas Horcruxes. Sim, toda a trama sempre foi maior do que Harry, muito embora os livros e filmes levem o seu nome, mas a verdade é que este é o primeiro filme em que nós percebemos isso. David Yates, que já tinha dirigido com muita maestria o filme anterior, volta neste novo para mostrar que seu talento não tem nada de acidental. Sim, o último livro é mais negro, tem mais mortes, tudo parece perdido, mas Yates consegue captar o sentimento difícil de tristeza, de perda, que vem tanto pela situação fictícia do mundo criado por Rowling como pelo pesar dos fãs por esta jornada estar chegando ao fim.

Rowling dedicou mais de dez anos à escrever a série e nós dedicamos mais do que isso a lê-la e a acompanha-la ansiosos nas telonas. Harry amadureceu, nós também. E os filmes não ficaram para trás. Em nenhum dos outros filmes se sentia tanto o perigo iminente do domínio de Voldemort, que pode ser facilmente comparado a um governo nazista, que despreza os “sangue-ruins”. Hermione é torturada, mas mais do que sentir sua dor quando ela grita e Rony se debate impotente, sentimos seu absoluto arraso quando vemos as palavras Sangue Ruim gravadas com sangue no seu braço, e as lágrimas no seu rosto cansado. O sofrimento dos personagens é palpável, real, e capaz de segurar uma plateia em silêncio, mesmo que ela já saiba o que vai acontecer. Este é outro desafio de Yates: tornar momentos emocionais em surpresas fortes, mesmo que metade do mundo já saiba o que vai acontecer a cada segundo.

Um bom exemplo deste amadurecimento dos filmes é a belíssima cena entre Harry e Hermione, quando eles dançam em uma tenda logo depois da devastadora partida de Rony. Desajeitado, mas de bom coração, Harry dá a mão à amiga, apenas para lhe mostrar que ele está ali, que eles são amigos e que ainda há esperança enquanto estiverem juntos. Tudo isso é entendido nos sorrisos, nas risadas cobertas por música, na naturalidade da cena, talvez a mais honesta da franquia até agora. Naquele momento, a tristeza é arrasadora. Do tipo que faz o coração se encolher no peito. E isso não é um feito para muitos.

Devido a sábia decisão de dividir este filme em dois, não vemos correria. Não é só explosão, ação, varinhas voando para todos os lados. Não. Embora se trate de um filme de bruxos, este novo Harry Potter é humano, eu diria até trouxa. Mesmo os mais poderosos feiticeiros se sentem assolados por uma emoção muito humana: desespero. Falta de esperança. As cenas que retratam a demorada viagem de Ron, Harry e Hermione pelas florestas, aparatando e desaparatando, são ideais em sua duração, sendo completamente fieis ao livro. O ritmo é constante, e ainda que lento, mantém o espectador bem na ponta do assento.

Em se tratando de arte, o filme não ficou para trás. A cena do Conto dos Três Irmãos é simplesmente maravilhosa, narrada pela doce voz de Emma Watson e trabalhada com uma animação maravilhosa, negra e ao mesmo tempo mágica, exatamente como o filme em que se insere. Sim, o duelo Harry X Voldemort ainda está lá, mas pela primeira vez vemos que o filme não se trata só disso. É uma história sobre pessoas com algo pelo que lutar, pessoas assustadas, mas que ainda encontram coragem para resistir ao desespero. As atuações de Emma Watson e Daniel Radcliffe, normalmente tão fraquinhas, ganharam força neste novo filme, onde são forçados a experimentar emoções mais intensas, e o fazem como gente grande, aliás, como os adultos que se tornaram.

Violência e amor, dois sentimentos tão intensos, estão ainda mais intensos agora, quando vale tudo. Segredos são revelados e confissões são feitas e tudo isso serve para mostrar a aproximação do fim. É impossível descrever a experiência de assistir a um filme, eu sempre achei, mas acredito que este Relíquias da Morte é um filme cheio de sentimento, mais do que muitos filmes que tem como proposta o drama. Ele é dramático em sua realidade, o que só torna tudo muito mais assustador.

Ao sair do cinema, o sentimento é nostalgia. Nostalgia pelos livros que lemos, pelos momentos que vivemos e pela tristeza que sentimos quando tudo acabou. Estamos sendo relembrados de que Harry Potter vai sim, acabar, e embora eu não seja a maior fã do mundo, devo admitir, ainda que relutantemente, que os personagens estarão sempre comigo. E se você acha que todo esse sentimentalismo é exagerado para um filme ou um livro, é porque ainda não descobriu os prazeres enormes da imaginação.

Harry cresceu. A Rowling já teve que se despedir dele quanto colocou o último ponto no último livro. E agora é nossa vez.